O consórcio construtor formado pelas empresas Galvão Engenharia e a baiana Andrade Mendonça está a frente da construção do Estádio Plácido Castelo, em Fortaleza, o Castelão, hoje a obra mais adiantada do país segundo o calendário da Fifa. Além de um aprimorado processo de gestão, isso é o resultado da adoção de tecnologias avançadas da construção civil, que garantem celeridade a obra, já enquadrada no conceito de estádio verde. A denominação é em função do projeto de sustentabilidade que envolve a obra, que prevê, entre outras questões, a reciclagem e reutilização de resíduos, sistema de esgoto à vácuo e utilização de madeira proveniente de florestas de manejo.
Um sistema misto de cobertura branca e translúcida para evitar o efeito "ilha de calor", reforço de solo com estacas de argamassa e um novo sistema de drenagem em função do rebaixamento do gramado são alguns diferenciais que o Consórcio Galvão Andrade Mendonça traz ao estádio Castelão. De acordo com Paulo Castro, engenheiro responsável pela obra, outras inovações serão aplicadas no estádio. “Concretos de baixa permeabilidade, adição de fibras sintéticas ao concreto para inibição de retração, minimização do consumo de água, sistemas especiais para a redução do consumo energético e certificação internacional de sustentabilidade ambiental são alguns exemplos de nossa contribuição e respeito ao meio ambiente”, disse.
Nesta direção, a equipe de trabalho desenvolve uma série de ações de curto, médio e longo prazo para construir um estádio verde, sustentável e ecologicamente correto. O consórcio implantou uma central de reciclagem dentro do canteiro de obras, onde todo o concreto obtido das demolições está sendo reciclado para ser usado na base da pavimentação do novo estacionamento.
Para reforçar as ações em prol da sustentabilidade, a meta é desviar de aterros sanitários mais de 75 dos resíduos resultantes das demolições do estádio. “A estrutura metálica da cobertura atual, bem como todo o aço das estruturas de tudo o que foi demolido, está sendo cuidadosamente separada e destinada para reciclagem na siderurgia”, explicou Castro.
A redução do consumo de energia será possibilitada pelo uso de aparelhos de ar condicionado mais eficientes e econômicos e a nova arena terá sensores de presença para iluminação, tudo pensado para se evitar desperdícios. “Serão utilizadas madeiras com selo internacional FSC. Esse material é aprovado pelo Conselho Brasileiro de Manejo Florestal, que garante que a madeira extraída seja proveniente de florestas de manejo”, explica Antonio Andrade Junior, diretor da Andrade Mendonça.
No último dia 12 de junho, parte da arquibancada do estádio foi implodida com total sucesso. Cerca de 130 metros de comprimento de concreto foi ao chão. Estudos baseados em simulações computadorizadas permitiram identificar a carga necessária de explosivos e os elementos que deveriam ser detonados para enfraquecer suficientemente a estrutura e induzir sua queda da forma planejada.