Em meio às obras do estádio, três detalhes cor-de-rosa
Detrás dos tapumes onde se encoberta o estádio Governador Plácido Castelo, o Castelão, estão três pedreiras perdidas na tradicional hegemonia masculina da construção civil. Dos 316 operários contratados pelo consórcio Andrade Mendonça e Galvão para reforma e ampliação da maior arena do futebol cearense, os cabelos compridos de Maria, Francisca e Liduína quase não se notam debaixo dos capacetes. Embora as aparências não acusem, as diferenças pululam o cotidiano.
Os cuidados femininos modificam a rotina da obra. Se o céu fecha, as mulheres descem dos andaimes, juntam os tijolos lá longe, levam para perto de onde estão e cobrem com impermeável.
O toró molha os tijolos dos outros; os delas, não. Na hora de levantar parede, faz diferença: tijolo molhado dança no cimento, não assenta. Alguns olhos-machos ao redor se ressentem dessa inteligência-fêmea.
“E quando ganhamos mais porque produzimos mais? É a guerra!”, deflagra a pedreira Maria Vieira, de 43 anos. A argamassa reveste paredes, tetos e facilita a aderência do reboco. A colher da construção apanha o cimento e o joga como dança sobre a superfície repetidas vezes.
Por dia de trabalho, a mão humana dedicada alcança 450 metros de argamassa arremessada. Com menos concentração, talvez 100.
“Ô, eu mandava brasa! No final do mês, tava lá o dinheirão. Eles ficaram com inveja e foram enredar. Os cabeça branca tiraram as mulheres do chaupisco, mandaram pra alvenaria”, denuncia a pedreira Liduína Acelino, de 38 anos, a época quando trabalhou no Hospital da Mulher, Jóquei Clube. Os cabeças brancas são os grandes: supervisores, engenheiros e mestres de obra.
Novos papéis femininos
Mas as reclamações têm fôlego curto. As lembranças mais fortes quando se fala em canteiro de obras são a independência e o orgulho próprio. As meninas, amigas desde quando fizeram o curso de pedreira juntas, saem do trabalho, as três, ainda fardadas.
“Nós vamos quebrar esse tabu. Eu já me vejo na próxima obra e na próxima e na próxima. Gosto muito do meu trabalho, não entendo como existe mulher submissa ao marido. Com meu salário, compro os meus perfumes, meus batons, ajudo na criação dos meus filhos”, deslancha a pedreira Francisca Falcão, 33 anos, quatro filhos, dois netos, o marido companheiro desde os 15 anos, uma trança bem aprumada e o batom róseo.
Fonte: Portal de notícias O Povo
A obra de reforma da Arena Castelão faz uso de uma máquina de reciclagem (modelo o QJ 240 móvel – SANDVIK, com capacidade para processar 50 m³/h), para reciclar os resíduos provenientes das demolições parcial do estádio e de resíduos da fase de construção.
Tem como intuito incentivar a sustentabilidade ambiental e reciclar os resíduos provenientes das demolições parcial do estádio e de resíduos da fase de construção.
Serão demolidos 11.000 m³ de concreto armado, do anel inferior e da área da implosão, volume que será totalmente reciclado e integralmente reaproveitado na própria obra para base de pavimentação.
Todo concreto da demolição do anel inferior do estádio (3.510 m³) já está sendo processado na usina e o material reutilizado na terraplanagem dos estacionamentos da Fase I, Fase II e Hospitality.
O consórcio está com a meta de reutilizar mais de 75 dos resíduos que serão gerados na obra, este é um dos créditos que iremos ter na certificação LEED da obra. Desta forma o Consórcio Castelão busca minimizar os impactos ambientais da obra da Arena além de diminuir os gastos com compra de material britado.